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Ação de manejo no oeste de SP descobre novos grupos de mico-leão e ganha destaque internacional

Mico-leão-preto: novos grupos são descobertos no interior de SP Uma estratégia de manejo utilizada por pesquisadores contribuiu para que dois novos grupos de...

Ação de manejo no oeste de SP descobre novos grupos de mico-leão e ganha destaque internacional
Ação de manejo no oeste de SP descobre novos grupos de mico-leão e ganha destaque internacional (Foto: Reprodução)

Mico-leão-preto: novos grupos são descobertos no interior de SP Uma estratégia de manejo utilizada por pesquisadores contribuiu para que dois novos grupos de micos-leões-pretos (Leontopithecus chrysopygus) aparecessem em um fragmento florestal próximo ao Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), descoberta que ganhou destaque em publicação científica internacional. O projeto se tornou uma pesquisa publicada na revista Global Ecology and Conservation (Ecologia Global e Conservação, em português), em setembro de 2026. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp De acordo com o Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê), o surgimento de dois novos grupos de mico-leão-preto mostra que a ação dos pesquisadores está sendo positiva, o que representa esperança para a preservação da espécie, considerada símbolo do Estado de São Paulo, e uma das mais raras e ameaçadas do mundo. 🐒 Endêmico da Mata Atlântica do interior do estado de São Paulo, o mico-leão-preto já foi considerado extinto na natureza por décadas, até sua redescoberta em 1970. Atualmente, o Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), abriga a maior população livre da espécie no mundo. Translocação de mico-leão-preto Lucas Leoni/Reprodução Segundo o Ipê, a área onde os dois novos grupos estão é um fragmento de 500 hectares em Presidente Epitácio (SP), com uma pequena população de primatas estimada em menos de 18 indivíduos que, há pelo menos 10 anos, vem apresentando redução gradual. Em 2024 e 2025, os pesquisadores levaram, ao todo, nove micos-leões-pretos de dois grupos distintos do parque estadual, onde vive a maior população, com cerca de 1,2 mil indivíduos, para a área florestal a 30 km de distância. LEIA TAMBÉM Homem que desapareceu em cachoeira no oeste paulista tentava salvar enteada de 11 anos de se afogar: 'Um herói', diz namorada Ir ao shopping, conhecer Thiaguinho e ver jogo no estádio: idosos revelam sonhos e ação viraliza na web Amigas eternizam amizade e amor pelo filho de uma delas em tatuagem sobre inclusão Novos grupos da espécie O ciclo de translocações começou em janeiro de 2024, quando pesquisadores transferiram um grupo familiar composto por dois adultos (casal reprodutor) e três jovens (filhos desse casal, já próximos da idade reprodutiva). Em 2025, foi a vez de outro grupo familiar, com mais dois adultos e dois jovens, ser movido para a área. Logo nos primeiros dias após a segunda soltura, os pesquisadores encontraram a fêmea alfa morta. A perda alterou a composição do grupo e, nos dias seguintes, os indivíduos começaram a apresentar maior distanciamento. Coordenadora do Programa de Conservação do Mico-leão-preto, Gabriela Rezende, afirmou que havia a possibilidade da perda de um membro da espécie e que isso poderia afetar o grupo. “Embora não tenha sido possível determinar a causa exata da morte, sabíamos que perdas iniciais são um risco possível em ações de manejo como essa. Ainda assim, foi um momento doloroso para todos. A ausência da fêmea alterou rapidamente a dinâmica do grupo”, disse a pesquisadora. Pesquisadores do IPÊ e parceiros acompanham o processo de translocação de mico-leão-preto Lucas Leoni/Reprodução Em maio do mesmo ano, pesquisadores identificaram que uma fêmea subadulta do grupo translocado em 2025 e o macho do grupo translocado em 2024 formaram um novo casal. Já na recaptura de julho, o macho adulto translocado em 2025 havia formado um novo grupo com duas fêmeas: uma translocada em 2024 e outra da população residente da área florestal. “Pela primeira vez, testemunhávamos uma verdadeira mistura de indivíduos de origens distintas, vivendo e se deslocando juntos como uma única unidade. A formação de novos grupos era justamente um dos resultados que esperávamos, embora tenha ocorrido mais cedo do que previsto”, declarou Gabriela. A iniciativa teve a participação do órgão estadual encarregado do Parque Estadual Morro do Diabo e pelo órgão federal responsável pela conservação de primatas brasileiros, em todas as fases: desde o planejamento e autorizações até o monitoramento. A ação também conta com apoio do Grupo de Assessoramento Técnico do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas da Mata Atlântica e da Preguiça-de-coleira (PAN PPMA) e com o acompanhamento técnico do Programa de Manejo Populacional do Mico-leão-preto (PMP-MLP). Pesquisadores do IPÊ e parceiros acompanham o processo de translocação de mico-leão-preto Lucas Leoni/Reprodução Novos indivíduos Daniel Angelo Felippi, veterinário do Programa de Conservação do Mico-leão-preto do IPÊ, contou que a perda de um dos indivíduos, embora tenha sido lamentável, desencadeou uma reorganização social que uniu animais de grupos diferentes. "A possibilidade de aumentar o fluxo gênico entre populações isoladas é encorajadora e abre uma perspectiva importante para o futuro da espécie”, afirmou. Segundo o veterinário, com a proximidade do período de nascimentos, que se concentram na estação chuvosa (setembro a março), é possível que surjam novos indivíduos da espécie. “Aguardamos ansiosamente pelo próximo capítulo e torcemos pela chegada de filhotes de micos nesses grupos recém-formados”, ressalta. Mico-leão-preto, em Teodoro Sampaio (SP) Gabriela Cabral Rezende No artigo, os pesquisadores analisam os resultados das duas translocações e, a partir dessa experiência, recomendam que processos de manejo similares adotem protocolos de monitoramento estendido, superiores a 24 meses, ou ao menos até que aconteça o primeiro ciclo reprodutivo bem-sucedido do grupo. Outra sugestão é o uso de ferramentas de monitoramento complementares, como telemetria, monitoramento acústico passivo e eventos estratégicos de recaptura. “Essas perspectivas são todas baseadas na nossa prática com essas translocações mais recentes. Elas não apenas aprimoram ações de translocação de micos-leões-pretos, mas também oferecem uma abordagem aplicável a outras iniciativas de reforço populacional de primatas em paisagens fragmentadas”, completou a pesquisadora Gabriela. Por meio dos corredores verdes no Pontal do Paranapanema, espécies ameaçadas de extinção voltam ao habitat, como o Mico-leão-Preto Gabriela Cabral Rezende/Reprodução Principal ameaça à espécie Gabriela Rezende também explicou ao g1 que a principal ameaça à espécie é a fragmentação das florestas. Segundo ela, o processo reduziu a cobertura vegetal a pequenos remanescentes isolados, o que compromete a circulação dos animais, resultando na diminuição e no isolamento das populações de mico-leão-preto nesses fragmentos. "As populações pequenas têm maior probabilidade de desaparecer, de se extinguir. Então, a gente trabalha no IPÊ duas estratégias para garantir a sobrevivência dessas populações", disse Gabriela. Uma das estratégias de conservação é a restauração de florestas, a partir do plantio de corredores florestais que visam reconectar as áreas fragmentadas. No entanto, a restauração leva tempo até atingir uma estrutura capaz de sustentar a população de micos. Entra em ação, assim, a segunda estratégia: o manejo de populações, também chamado de translocação. A pesquisadora explica que a translocação consiste na retirada de um grupo de um fragmento com população maior para outro com menos indivíduos, com o objetivo de reforçar o número de animais e ampliar a diversidade genética. "A gente precisa garantir que a população tenha uma maior diversidade dessa genética, porque é isso que vai fazer com que elas possam se adaptar a grandes mudanças ao longo do tempo", contou. Gabriela Rezende, coordenadora do programa de conservação do mico-leão-preto do Instituto IPÊ: diagóstico sobre população do primata se estende agora ao centro-oeste paulista IPÊ/Reprodução Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM